O Complexo da Família Qiao , oficialmente designado como o Grande Complexo dos Qiao, é o complexo residencial do conhecido financeiro Qiao Zhiyong (乔 致 庸 / 喬 致 庸, 1818-1907), que era o membro mais famoso da família Qiao. A construção começou em 1756 durante o reinado do Imperador Qianlong, na dinastia Qing, e foi concluída em data incerta do século XVIII. A propriedade cobre 9.000 metros quadrados e tem 313 quartos com 4.000 metros quadrados em 6 grandes pátios e 19 pátios menores. Os arquitetos consideram-no um dos melhores exemplos existentes de imponentes residências privadas no norte da China. Foi convertido em museu e possui muitos móveis de época. É famoso por ser o local principal das filmagens de "Raise the Red Lantern", de Zhang Yimou. Uma série de televisão chinesa de 2006, Qiao's Grand Courtyard, também foi filmada aqui.
E foi precisamente esse filme do celebrado cineasta chinês, que pude ver antes dessa minha viagem a Shanxi.
O complexo, porque aquilo não era apenas um casarão, é belíssimo, até há pouco infestado de turistas, que infelizmente retiram, a meu ver, pela quantidade, a dignidade e o respeito que se deve ter para com edifícios desta qualidade.
O filme de Zhang Yimou, dominado pela presença da então sua mulher Gong Li, é mais uma obra-prima da narrativa dos hábitos e tradições da vellha China, à semelhança do Império de Prata.
Os tempos são próximos. O concubinato ainda existia e continuou a existir.
"Erguer a lanterna vermelha", num complexo desse gigantismo, significava que, nesse dia, a concubina em cujo pátio fronteiro eram colocadas lanternas de seda vermelha, iria receber a visita do senhor. Era assim que os comerciantes ou mandarins chineses ricos e poderosos garantiam a sua linhagem, aspecto importantíssimo, para além do que significava o concubinato em termos de recreio.
O filme pode ser visto na íntegra nesta versão Youtube, legendado em inglês.
Poderá dizer-se que esta temática é muito tratada. Contudo importa dizer que estes eram os diálogos entre os poderosos e muita da miséria que vivia à espera das migalhas dos senhores de terras e magistrados.
Não é possível para o ocidental avaliar a cultura e civilização chinesas segundo os seus parâmetros. Torna-se necessário libertarmo-nos desses coletes de forças e, sem preconceitos nem juízos, deixarmo-nos percorrer pela narrativa, mergulhando nela.
Não deixa de ser indispensável deixar aqui uma imagem de Gong Li, a heroína deste filme, porque sim. Sempre admirei mulheres não convencionais.
António Conceição Júnior


