Saturday, May 9, 2020

O CAMINHO PARA ORIENTE

Nota Introdutória
Esta narrativa nasceu inicialmente com o título de "Prelúdio para uma Cidade". Descobri-a esquecida, interrompida. Retomei-a com a intenção de me dirigir às gerações que, por motivos vários, desconhecem episódios dos descobrimentos. Este é, assim, um modestíssimo contributo para a sua elucidação.

Desencontro de marinheiros
Em 1433, o Grande Almirante Zheng He concluiu a sua sétima expedição marítima, a primeira das quais começou com o imperador Yong Le (1360 - 1424) e a última sob o imperador Xuande, que reinou por dez anos, de 1425 a 1435, ambos da dinastia Ming (明).

Imperador Yong Le

Os enormes juncos das expedições chinesas foram deixados de lado para sempre. Era a maior armada do mundo, composta por navios-tesouro com mais de 120 metros de comprimento, embarcações para equídeos, de 100 metros de comprimento, embarcações de suprimentos com cerca de 78 metros de comprimento, navios de tropas com 67 metros de comprimento e navios de guerra com 50 metros de comprimento. Um século depois, nada mais restava.

Só a largura do junco era maior que o comprimento da caravela

Vieram então, do Ocidente, descendo a costa ocidental da África, os portugueses comandados por Bartolomeu Dias, que atravessaram o Cabo da Boa Esperança em 1488.
A caravela com a qual Bartolomeu Dias ousou destruir os fantasmas do Cabo da Boa Esperança teria apenas 23 metros de comprimento. Uma casca de noz.
Apenas dez anos depois, Vasco da Gama chegou a Calecut, Índia, em Abril de 1498, iniciando uma era da chamada Rota Marítima das Especiarias, que os portugueses começaram a controlar.

Almirante Zheng He, eunuco e muçulmano, natural de Yunnan

Por vezes somos levados a pensar como teria sido para os portugueses se se tivessem encontrado com os gigantescos navios de Zheng He. Como os marinheiros dos dois lados teriam reagido uns aos outros? Porém, uma diferença de menos de 50 anos impediu que esse encontro lendário acontecesse.

Movendo-se para oriente a golpes de aço e de amor
Enquanto os marinheiros chineses, chefiados por Zheng He, usavam a diplomacia e os seus imensos e poderosos navios para impressionar e garantir lealdades, evitando sabiamente o confronto, os portugueses tinham uma abordagem mais frontal, talvez ditados pela escassez de homens, que só era compensada pela sofisticação da sua artilharia naval e uma característica crucial: os portugueses estavam disponíveis para se casarem com mulheres indianas, cingalesas, malaias, indonésias e siamesas. Esses guerreiros foram na verdade os iniciadores de uma aventura genética única que se espalharia pelos mares orientais.
De 1506 a 1515, os portugueses foram liderados por um verdadeiro génio militar, o vice-rei da Índia, Afonso de Albuquerque que, ironicamente, nunca comandou mais do que 4.500 homens, tal era a escassez de soldados de um país com apenas um milhão de habitantes.



No seu caminho para a Índia, e antes de chegar, conduziu os seus homens à conquista de vários portos em Omã, e tomar Ormuz, situada no Estreito do mesmo nome, no Golfo Pérsico.  

O estreito de Ormuz e a ilha de Gerun

Com um dos seus navios em mau estado, Albuquerque entra corajosamente no estreito de Ormuz, com 500 homens, altura em que se vê rodeado por mais de 250 navios turcos otomanos. Fundeia e um parlamentar vem saber o que o cristão quer. O Almirante diz-lhe que veio tomar Ormuz e quer que se rendam. O mensageiro sorri, solta uma gargalhada e desce para o escaler que o trouxera. 
Mal este se afasta, Albuquerque dá ordem para que os seus navios formem em círculo e iniciam um bombardeamento em carrocel. Albuquerque sempre foi extremamente ousado, corajoso, mas sabia ao que ia.
Nessa altura, já os canhões das carracas e naus portuguesas tinham culatras, o que permitia carregar cada canhão a uma velocidade sete vezes maior porque não precisavam de puxar o canhão atrás, carrega-lo pela boca, como ainda se faria na Guerra Civil americana. Isso dava uma vantagem de sete tiros contra um com a vantagem de a artilharia portuguesa ter um alcance muito maior do que os Otomanos. 

Exemplo de um canhão com culatra por onde se colocava a bala e a carga de pólvora.
Colecção Rainer Daenhardt

Instruídos os artilheiros, poucos, mas veteranos de outras batalhas, disparavam para a frente dos barcos, as balas rasando a água ganhavam maior impulso e iam atravessar dois navios de cada vez, cada canhão disparando sete tiros por minuto. As seis carracas provocaram o afundamento e o caos da maioria dos navios que de um lado e outro fechavam a entrada do estreito. A cidade de Ormuz rendeu-se, Albuquerque conseguiu obter um pagamento anual de 4.000 ducados da cidade de Ormuz ao rei de Portugal.

Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz

Como acontece com muitos grandes homens, foi mal recebido pelo vice-rei D. Francisco de Almeida que o fez aguardar dois anos para assumir o cargo de vice-rei, por querer vingar a morte de seu filho, Lourenço de Almeida, morto heroicamente numa batalha em Chaul. Albuquerque, para não causar engulhos, aguardou pacientemente.
Em 1510, já como Vice-rei, Albuquerque conquista Goa, que se tornaria na Roma do Oriente.
Ainda hoje, Goa é habitada por pessoas orgulhosas dos seus sobrenomes, como Castro, Albuquerque, Cunha, etc., que vivem em casas indo-portuguesas, enquanto muitos ainda falam português.
Apenas um ano depois, Albuquerque iria para a Malásia e conquistaria Malaca, onde construiria uma fortaleza que ficaria conhecida como “A Famosa”, estendendo o comércio de especiarias para as Molucas e preparando-se para ir além, ao Extremo Oriente, enquanto o primeiro tratado comercial era assinado entre os portugueses e o Reino do Sião.
Os portugueses de então tinham uma estratégia de expansão comercial, e que passava também pelo reforço do protagonismo militar. Foi assim que os canhões de bronze passaram a ser fundidos primeiro na Índia, por Bocarro, e depois em Macau, permitindo que os navios portugueses não carecessem de regressar à pátria para substituir os canhões que, com o calor das explosões, entortavam. Ao mesmo tempo arcabuzes indo-portugueses eram fabricados também na Índia, estratégia brilhante para a época.
Foi Albuquerque que deu ordem de avançar para o Oriente Extremo a Jorge Álvares, companheiro que foi de Fernão Mendes Pinto.

Entretanto, D. Manuel I, que ficou para a história como "O Venturoso", em ordem a assegurar o seu casamento com Isabel de Castela, segue o que os reis católicos de Espanha queriam. Expulsa os judeus de Portugal. 
 Jerónimo Münzer in “Viagem por Espanha e Portugal. 1494-1495” escreve:
“Os Judeus de Lisboa são riquíssimos, cobram os tributos reais, que arremataram ao Rei. São insolentes com os cristãos. Têm muito medo da proscrição, pois o Rei de Espanha ordenou ao Rei de Portugal que expulsasse os marranos e da mesma forma os Judeus, aliás teria guerra com ele. O Rei de Portugal, fazendo a vontade ao de Espanha, ordenou que antes do Natal saíssem do reino todos os marranos.” E foi assim, fruto do fervor e intolerância religiosas da época, que judeus e marranos foram para a Holanda, onde financiaram a Companhia Holandesa das Índias Orientais e, com ela, navios de guerra que se apressaram a procurar desfazer o império português.
Em Malaca, depois de Albuquerque, e face ao enorme erro e cegueira dos reis Ibéricos, os holandeses tomaram o lugar dos portugueses, enfraquecidos pela fuga do capital judeu, tendo perdido Malaca para os holandeses. 
Porém, ironicamente, a atracção mais famosa é a fortaleza portuguesa, “A Famosa”, construída por ordem do grande almirante. No assentamento português, os descendentes de marítimos portugueses que ali se estabeleceram ainda falam uma língua conhecida como papiá cristám (língua cristã), que é um remanescente do português da época.

Ruínas d'A Famosa

Eu estava lá e notei que o autocarro escolar em Malaca tinha a palavra Sekola, tão próxima de Escola (basta alterar as duas primeiras letras), magia que os holandeses não conseguiram apagar.
Nos anos 1960, durante um voo entre a Malásia e Hong Kong, alguém olhou para mim e perguntou qual era minha nacionalidade. Ao som da palavra em português, meu companheiro de vôo sorriu e disse quatro palavras:
djanela, bandera, cadera, pistola. Eu entendi tudo apesar dos séculos de distância. À minha pergunta, ele respondeu que era indonésio ...

A Golpes de Amor
É chegada a altura de mostrar um pouco do que foi a aventura genética dos marinheiros portugueses e as miscigenações que provocaram e que perduraram pelos séculos.
Mulher indiana
Freida Pinto – actriz indiana de ascendência portuguesa. 

Portu-goesas

Jovem Rhodyia do Sri Lanka

Descendente de Portugueses no Sri Lanka (Ceilão)

Casamento de Luso descendentes no Sri Lanka (Burghers)

Crianças de Malaca dançando folclore português que jamais viram

Crianças luso-descendentes do "Kampung Portuguis" de Malaca

Descendente de Portugueses, dos Bayinguyi. Birmânia

Jovem Bayingyi trazendo nos olhos os genes portugueses.

Família Bayingyi. Fotografia de 1900.

Criança Lamno, da Indonésia.

Jovem de olhos azuis de ACEH, do topo Norte da ilha de Sumatra.

Em 2012 por impedimento da responsável, foi-me inusitadamente pedido para acolher um grupo de pesquisadores tailandeses de Ayutthaya, o que fiz de bom grado. Imagine-se as comemorações dos 500 anos da chegada dos portugueses realizada pelos tailandeses no reino de Sião. A Tailândia lembrou-se. Nós, nem por isso.
Os ferozes soldados portugueses lutaram com os tailandeses em Ayutthaya contra os seus inimigos cambojanos e birmaneses. 
Levei a delegação tailandesa para um verdadeiro almoço português em Macau e, quando os doces chegaram, duas das senhoras sorriram e disseram que todos os doces na Tailândia que utilizam ovos eram de origem portuguesa e que uma das senhoras sabia como fazer doces de ovos.
Todas aquelas lembranças que encontrei e das quais me falaram nunca seriam possíveis se os portugueses não se tivessem miscigenado.
Portuguese man o war

Há nos mares do Índico um conjunto de quatro tipos de invertebrados gelatinosos que são fisiologicamente integrados e cujos tentáculos venenosos podem causar picadas terríveis, originando fortes dores nos seres humanos, infecção de gânglios linfáticos, febre, choque, interferência no coração, pulmões e morte. Esse organismo, Physalia physalis, é conhecido em inglês por Portuguese man of War, e em português por Caravela Portuguesa.
Este apelido define a reputação dos portugueses como guerreiros que provocavam a mudança de curso de navios piratas para não enfrentar os portugueses.

Escassos em número, tinham de estudar muito bem o inimigo, quase seguindo a “Arte da Guerra” de Sun Tzu.
Nos combates na Índia, o calor era tamanho que poucos ou nenhuns traziam armadura. Quando desembarcavam sabiam que iam ser recebidos por uma saraivada de flechas. Então, cientes que o alcance dos arcos indianos era de 400 metros, os portugueses desatavam a correr loucamente em direcção ao inimigo para encurtar a distância dos 400 metros e, a seguir, com a espada de copo ou de guarda de caranguejo, na mão direita e o punhal na mão esquerda, liquidavam o inimigo que usava uma recurva tulwar que tinha pouco alcance e escudos pequenos que pouco protegiam dos veteranos portugueses.

Foi também da sua estadia na Índia que nasceu em Portugal o “Jogo do Pau”, aprendido no Índico e que, curiosamente, também é praticado na China, noutra variante.
Foram os portugueses os únicos que também usaram golpes de amor sem preconceito de raça ou religião, gerando uma nostalgia de um país tão distante que – nas palavras de Luis de Camões, brigão, guerreiro, enamorado e poeta maior – deu mundos ao mundo. Infelizmente porém, o destino final dos grandes portugueses como Albuquerque e Luís Vaz, não foi de reconhecimento. 
O venturoso ainda se arrependeu de, em 1515, ter nomeado Lopo Soares de Albergaria, inimigo pessoal do grande almirante, para lhe suceder. Mas já não foi a tempo. Afonso de Albuquerque, trazendo no peito o desgosto do insulto e da injustiça, morreu na viagem de regresso, em pleno mar.
Na brisa do Índico e do Pacífico, o vento sopra o aroma desses homens desconhecidos e de suas mulheres, da África Oriental à Índia, à Malásia, ao Reino do Sião, Macau e Japão.
Muitos nunca retornaram. Estabeleceram-se no Entreposto de Macau com os seus filhos mestiços, vindos das mulheres do seu itinerário.
Essa jornada épica do país mais ocidental da Europa até ao Japão levou pouco mais de 100 anos. Foi a maior aventura genética que resultou numa enorme aventura de identidade, quando a língua foi usada, franca, em todos os lugares, cada um com seu próprio sabor.
É preciso voltar a recordar que, quando os descobrimentos começaram, Portugal tinha apenas um milhão de habitantes. Os que foram para o mar eram muito escassos. Os comandantes e almirantes eram nobres de Portugal, mas com o passar do tempo a força principal era composta por portugueses veteranos e os mais jovens seriam seus filhos, produto já da miscigenação, agora na casa dos 20 ou 30 anos.

Este foi o prelúdio para a cidade de Macau, que recebeu o título de "Não há outra mais Leal" outorgado por D. João IV, porque, durante os 60 anos de ocupação dos Filipes, Macau não só nunca ergueu a bandeira espanhola como também repeliu, com apenas cerca de 150 homens – incluindo padres jesuítas, escravos e a pequena guarnição – uma tentativa dos holandeses de conquista de Macau, que resultou na derrota dos invasores que viram o seu navio paiol explodir em consequência de um tiro de canhão disparado por um padre jesuíta, tendo o seu capitão sido capturado.
Por essa altura, os chamados “homens bons” de Macau tinham estabelecido um Senado, já no século XVI, consequência da formação da primeira república democrática no Extremo Oriente, por pequena que fosse.

O barco negro ou a nau de prata, pintada pelos japoneses

Os portugueses conheciam o Japão desde os tempos de Marco Polo. Chegaram a Tanegashima, após um naufrágio causado por um tufão, em 1547, originando a introdução da arma de fogo no Japão. Até hoje, o Teppo Matsuri (festival da espingarda) acontece todos os anos, comemorando a chegada dos portugueses e do bacamarte, que veio revolucionar a guerra no Japão.
Os portugueses usavam o porto de Nagasaki para negociar tendo por base o Entreposto de Macau. Aproveitando a ausência de relações comerciais entre o Celeste Império e o Japão, portugueses e macaenses trocaram preciosa seda chinesa muito procurada no Japão por barras de prata. O Reino de Portugal, com sede na Índia, enviava o chamado Barco Negro para liderar uma imensa frota do comércio anual, com os comerciantes de Macau a acompanhar nos seus próprios barcos, de juncos e híbridas lorchas, levando mais do mesmo para continuar esse imensamente rico comércio. A presença dos portugueses no Japão resultou em mais de 400 palavras portuguesas na língua nipónica, da quais se destacam algumas como tabacô, pán (pão), birudo (veludo), botán (botão), gibán (gibão, casaco), biidoro (vidro), iruman (irmão, kappa (capa).
Das escaramuças naturais entre os ferozes samurais e os portugueses, David Black-Mastro relata dez duelos com espadas, das quais os marinheiros portugueses venceram e mataram nove samurai, resultando também na morte de um marinheiro. Na manhã seguinte, foi dito ao capitão do navio qual tinha sido o nipónico que tinha matado o marinheiro bêbado. O capitão foi procurar o samurai e matou-o em duelo.
O fervor dos missionários empenhados na conversão dos japoneses causou problemas suficientes que foram crescendo, acentuados pela rivalidade com os protestantes que entretanto haviam chegado. Isso originou o chamado martírio da cruficação de 26 cristãos em Nagasaki, em 1597, seguida pela expulsão dos padres católicos e dos cristãos (Kirisitan em japonês) que vieram para Macau e ajudaram a construir o Colégio e a Igreja da Mãe de Deus de São Paulo, na primeira Universidade de todos os tempos no Extremo Oriente.


Depois de uma passagem por Macau, Venceslau de Morais fixou-se no Japão, do mesmo modo como tantos militares e outros portugueses, vindos em comissões de serviço de dois anos, se foram localizando e por Macau casando e ficando, ficando, presos por um sortilégio talvez indiscernível, como por outras paragens asiáticas sucedeu. 
E assim, a aventura portuguesa deu origem a uma diáspora de incontáveis ​​variantes genéticas, cada uma significando uma história, dos quais os macaenses, nascidos nas longitudes mais distantes, representam a dimensão maior da portugalidade enquanto nação de indivíduos, cada um transportanto a sua história genética particular. 
A todo o momento, a diáspora e a remiscigenação, dão à portugalidade a vitalidade que ela necessita. Falta apenas que se conheça esta história (talvez) esquecida ou ignorada em Portugal. Aquela que aconteceu fora de portas, e onde nasceu o hábito de dizer “para seres grande sai”.
É preciso que se saiba.

Wednesday, May 6, 2020

PRELUDE TO A CITY – THE MANY WAYS OF BEING PORTUGUESE


An encounter of sailors
In 1433, Grand Admiral Zheng He completed his seventh sea expedition, the first of which began with Emperor Yong Le (1360 - 1424) and the last under Emperor Xuande who reigned for ten years, from 1425 to 1435, both from the dynasty Ming.
Then, the huge reeds of Chinese expeditions were soon put aside forever. It was the largest armada in the world, made up of treasure ships over 120 meters long, vessels for equines of 100 meters long, supply vessels about 78 meters long, troop vessels 67 meters long and ships of war 50 meters long.

A Chinese junk compared to the Portuguese ships

It is often led to think what it would have been like for the Portuguese if they had been the first Europeans to meet Zheng He's gigantic ships, how would these sailors have reacted to each other? Unfortunately, a difference of less than 50 years prevented this legendary encounter from happening.

Then, from the West came Bartolomeu Dias the Portuguese captain who crossed the Cape of Good Hope in 1488.
The caravel with which Bartolomeu Dias dared to destroy the ghosts of the Cape of Good Hope was only 14 meters long. 
Just ten years later, Vasco da Gama arrived in Calicut, capital of North Kerala, India, in April 1498, beginning an era of the so-called Maritime Spice Route, which Portuguese began to control.

The red lines were the Silk Road and the blue ones at the Indian Ocean are the Portuguese movements in the East

Moving East through blows of steel and love
While Chinese sailors, headed by Zheng He, used diplomacy and their huge and powerful ships to impress and secure loyalties, wisely avoiding confrontation, the Portuguese approached head on, perhaps dictated by the scarceness of their presence, which was only offset by sophistication of their naval artillery and a characteristic that was crucial: the Portuguese were willing to marry Indian women, later Singhalese, Malaysian, Siamese. These merchant warriors were actually the initiators of a unique gene pool that spread across the Eastern seas.
From 1506 to 1515 the Portuguese were led by a military genius, the Viceroy of India, Afonso de Albuquerque.
On the way to India, he led his men to conquer several ports in Oman, to win the battle of the Strait of Ormuz in the Persian Gulf – his six ships against more than 250 Ottoman Turkish ships – managing to obtain an annual payment of 4,000 ducats from the city from Ormuz to the king of Portugal.
Goa, India, was conquered in 1510 and would become what would be known as the Rome of the East.
Just a year later, Albuquerque would go to Malaysia and conquer Malacca where he would build a fortress rightly known as The Famosa (the Famous), extending the spice trade further to the Moluccas and preparing to go further in the Far East, while the first trade treaty was signed between the Portuguese and the Kingdom of Siam. The Portuguese Admiral never had more than 4,500 men in all his deeds.

Even today, Goa is inhabited by people proud of their surnames, such as Castro, Albuquerque, Cunha, etc., who live in Indo-Portuguese houses, while many still speak Portuguese.
In Malacca, the Dutch took the place of the Portuguese when they faded, however, the most famous attraction is the Portuguese fortress, rightly named The Famosa in honor of the great Admiral Afonso de Albuquerque. 
In the Portuguese settlement, the descendants of Portuguese seafarers who settled there still speak something known as Papiá Cristám (Christian language) which is a remnant of the Portuguese spoken at the time.
I was there and noticed that the school bus in Malacca had the word Sekola for Escola (just change the first two letters) and you get the word School in Portuguese.
In the 1960s, during a flight between Malaysia and Hong Kong, someone looked at me and asked what my nationality was. At the sound of the Portuguese word, my flight companion smiled and said four words:
djanela, bandera, cadera, pistola. I completely understood how very similar janela (window), bandeira (flag), cadeira (chair) and pistola (pistol). To my question, he replied that he was Indonesian…
Just two years ago, I was asked to host a group of Thai researchers from Ayutthaya, which I happily did. Imagine the celebrations of the 500 years of the arrival of the Portuguese by the Thais in the Kingdom of Siam. Thailand remembered. The fierce Portuguese soldiers fought with the Thai against their Cambodian enemies. And they left legacies.
In fact, I took the Thai delegation to taste a real Portuguese lunch in Macau and when the sweets arrived, two of the ladies smiled and said that all the sweets in Thailand that carry eggs were of Portuguese origin, and that one of the ladies knew how to make egg sweets.
All those memories that I found and that they told me about would have never been possible if the Portuguese did not mix.
The Portuguese only used the steel of their swords or cannon balls. They had to be brave, and fierce, because they were few.  
Actually the name Portuguese-Man-of-War is a nickname given to Physalia physalis, a set of four types of gelatinous invertebrates that are physiologically integrated and whose venomous tentacles can cause terrible stings, causing humans severe pain, lymph nodes, fever, shock and interference with the heart and lungs and death.

Portuguese man of war

This nickname defines the reputation of the Portuguese as warriors in the East, who would have pirate ships changing the course of their routes in order avoid these men. However, they were few in number, but they were the only ones who also used blows of love without race or religious prejudice, generating an almost inexplicable desire, a nostalgic affection, a longing for a small country so far away who – in the words of Luis de Camões, the greatest of the Portuguese poets, warrior, lover and adventurer – gave worlds to the (western) world, five centuries ago.
In the breeze of the Indian and the Pacific oceans, flow the scents of those unsung men and their women, from East Africa to India, to Malaysia, the Kingdom of Siam, Macau and Japan. 
Many never returned. They settled in the East with their mixed blood children of said women. 
This epic journey from the Westernmost country of Europe until Japan, took just a little over 100 years. It was the greatest genetic adventure of which resulted in an enormous identity adventure as well, when the language was used in all the places, each with its own flavor.

One must realize that when the discoveries begun, Portugal had only one million inhabitants. So the people who went to sea was very scarce. The commanders and admirals were noblemen from Portugal, but as time passed it is understood that the main force was composed of Portuguese and the younger men were their children, now in their 20s or even 30s.
This was the Prelude to the city of Macau who was given the title of “There is none other more Loyal” by King João IV, because during the 60 years of the Spanish rein over Portugal, Macau never raised the Spanish flag and also repelled with just 150 men, including Jesuit priests, an attempt by the Dutch to conquer Macau, which resulted in the defeat of the invaders who saw their gun powder ship explode by canon fire, and their captain captured. 
By this time the so called “good men” of Macau established a Senate where, in as early as the 16th. Century, the formed the first democratic rule in the far East, and it was a Republic, no matter how small.

19th. century Macau taken from the oldes Lighthouse of the Far East.

The Portuguese knew about Japan since the days of Marco Polo. They arrived in Tanegashima after a shipwreck caused by a typhoon, in 1547 originating the introduction of the firearm to Japan. Until today, the Teppo Matsuri (gun festival) takes place every year, celebrating the arrival of the Portuguese and the gun, a novelty until then. 
The Portuguese used the port of Nagasaki to trade. Their settlement in Macau served as a base. They went to Guangzhou city to buy precious silk and traded it with the Japanese for silver bullion. The Kingdom of Portugal sent the so called Black Ship to lead the trade, based in India, but Macau traders went along in their own smaller ships and that was and immensely rich trade. The Portuguese presence resulted in more than 400 Portuguese words acquired by the Japanese that are still in use today.

The Black Ship

Of the natural skirmishes between the fierce samurai and the Portuguese, David Black-Mastro reports ten sword fights, of which the Portuguese sailors won and killed nine samurai, and one sailor died. The next morning the ship captain was told who killed the drunk sailor, went after him and killed the samurai in a duel. 
The stupidity of the missionaries who wanted to convert Japanese caused enough problems that were accentuated by the rivalry with the Protestants who had arrived. This originated in the crucifixion of 26 christians in Nagasaki 1597, followed by the expulsion of the Christians (Kirishitan in Japanese) who came to Macau and helped build the College and Church of the Mother of God of St.Paul, in  the first ever University in the Far East. 



And so, the Portuguese adventure gave birth to a diaspora of uncountable different genetic pools that however form a nation of identities, the Macanese, who speak three languages from birth, born in the farthest of longitudes.
They represent the spiritual dimension of the Portuguese. Hence, again, the notion that there is not one way of being Portuguese.